Não sei por onde começar, então começarei pelo princípio.
Meu nome é Peter Belsoff, tenho 17 anos e moro no Rio de Janeiro, no que sobrou dele, pelo menos. Vivo no ano de 2035. E aconteceu tudo aquilo que foi previsto a tanto tempo: o planeta aqueceu, a geleira derreteu, o mar subiu, e o que antes fora a cidade do Rio de Janeiro, tornou-se a província Carioca, que é menos da metade do território antigo do Rio.
O que eu acho que seja o início, foi quando governantes me procuraram. Fazia uma tarde morna, sem sol e sem sal, e eu estava lá, saindo da Candelária, quando ouvi o barulho de um tiro. Um assassinato aconteceu na minha frente, e sem que eu percebesse, me tornei o próximo alvo.
Corri. Corri como se não houvesse outra coisa que eu soubesse fazer. Quando olhei para trás me espantei com a imagem: Um ser encapuzado corria atrás de mim, e na sua mão direita um revolver. Subi em um muro e lá fiquei, durante pelo menos 45min, observando.
O bandido se aproximou, e se afastou. uma viatura da polícia passou, eu pulei do muro e chamei a atenção dos homens da lei. A viatura acostou.
"Diga jovem" Disse o que estava no banco do carona."O que houve, sabe algo do assassinato que ocorreu na saída da Candelária?"
"Sem sim, senhor" Eu disse ofegante.
"Acalme-se, e não precisa me chamar de senhor." Respondeu com um sorriso amigável no rosto. "Chame-me de David"
"Entre" Disse o motorista. A porta de trás abriu-se e eu entrei. "Eu sou Júlio"
"Prazer, Peter"
"Então Peter, tome, beba isso" David me deu uma garrafa d'água, que me pareceu ser dele próprio. Bebi metade da água.
"O que viu, pode nos descrever, por favor?" Perguntou-me Júlio.
"Eu estava saindo da Candelária, quando ouvi um estampido, virei o rosto na direção e só o que vi foram manchas de sangue, um homem encapuzado, que correu atrás de mim, mas desistiu quando não me encontrou." Eu respondi, tudo o que lembrava, foi tudo tão rápido, tudo tão impactante.
"Você sabe quem foi assassinado, Peter?" Perguntou David
"Não"
"A Presidente Cecília Romão." Disse Júlio.
O impacto foi demais pra mim. Calei-me e faltou-me ar. Crise de asma. Abri a mochila e peguei a bombinha.
"Asmático?" Perguntou Júlio.
"Sim" Respondi. Na hora, não senti nada, mas agora, quando sentei-me, senti todo o peso sobre meus pulmões. Era como se eles quisessem escapar pelas minhas narinas.
"Tome isso" disse Júlio passando-me um comprimido, que eu tomava só quando a crise apertava, Asmix. Ele suavizava e mantinha suas condições físicas normais, respiração em pleno funcionamento. Era caro.
"Não, é um pouco caro, você não vai querer gastar..."
"Quem paga é o governo, com tanta corrupção, remédio para um jovem não me parece tão errado." Respondeu ele. "Não vou deixar você morrer com essa bombinha, eu sofri isso, durante 10 longos anos"
Comecei a reparar naqueles policiais. Júlio era negro e careca, tinha o rosto tenso. Sua bochecha esquerda tinha uma cicatriz.
David era mais jovem, parecia pelo menos, pele tão branca quanto a minha, cabelos ruivos encaracolados e barba rala. Tinha o rosto divertido, era como um dos caras do colégio.
Olhei para a rua. E a vi. Ela, quero dizer Julieta Louro. Era a minha garota. Filha do prefeito. Impossível para mim. Seu namorado? Felipe Marconi, o filho do Chefe de Polícia.
"Que foi Peter? Apaixonado pela Srta. Louro?" Perguntou David, risonho.
"Não..." Desconversei.
"Admita" Insistiu David "Vamos, diga logo o que já sabemos!"
"Deixe-o Dave!" Exclamou Júlio.
"OK"
"A Julieta, digo, a Srta. Louro, é um caso impossível." Eu disse.
"É, realmente, filha do nosso meritíssimo prefeito, compromissada, com o filho do Chefe de Polícia da província, é Peter, está ruim pra você!" Continuou David.
"Ela não me conhece" Respondi.
"Claro que conhece. Só há uma escola na província, e é onde os dois estudam." Disse David.
"Não. Na verdade, não. Somos da mesma classe de história, mas não nos falamos."
"Ela certamente sabe quem você é."
"Onde você mora, Peter?" Cortou-o Júlio.
"Telemack" Respondi, eles se surpreenderam.
Telemack é o bairro mais perigoso e miserável da província Carioca. É o principal polo de tráfico de drogas do país inteiro, e a população vive em constante medo de que algo aconteça.
Como resolvi morar aqui? É uma longa história.
Meu pai, Jean Belsoff, foi morto na Terceira Guerra Mundial. Sim, aconteceu uma terceira guerra mundial. O palco? Os EUA. Fi uma guerra sangrenta, entre os EUA e a China, e tudo pelo direito de produzir artefatos eletrônicos. A ONU foi destruída nessa guerra, pelos próprios governantes, um golpe político que até hoje ainda não foi muito bem explicado.
O Brasil, como sempre, foi apoiar os Estados Unidos. As Américas unidas venceram a ásia, que mesmo em maior quantidade, eram mais fracos. Tinham todo o poder tecnológico, mas treinamento militar inferior e arsenal maciço fraco.
Depois dessa guerra, minha vida mudou totalmente, quando o último combatente asiático foi derrotado, eu tinha 3 anos, e nada sobre isso entendia.
Meu pai morreu e eu não conheço nada sobre ele. só o que minha mãe me informou: Jean Belsoff, morreu aos 37 anos, em combate. Apenas, não existiam fotos nem nada mais sobre em nossa casa. Quando eu tinha 6 anos, minha mãe casou-se de novo, e meu padastro sempre fora amigável e amoroso comigo.
A relação entre minha mãe e ele sempre foi ótima, eles não discutiam na minha frente, e sempre resolviam os problemas conversando. Até que ele ficou muito ciumento, e com o ciumes, veio a violência. Quando completei 14 anos, enterrei uma mãe e prendi um padastro. Fiquei órfão e precisava procurar onde morar. Encontrei um emprego para carregar as compras das senhoras do mercado para as casas, e assim fui me mantendo até os 16, morando no mesmo minusculo cubículo em Telemack. Aos 16, consegui um emprego no mercado, de atendente. Hoje eu fui demitido, pois no momento estou dentro da viatura da polícia, faltando o trabalho.
"Em que está pensando, Peter?" Perguntou-me David.
"Nada." respondi. "Nada em especial. Pode me deixar aqui, Júlio, eles vão se intimidar se entrarmos na favela."
"Tá bem" Disse Júlio, a contragosto.
Desci do carro, e depois das recomendações dos dois, subi a rua principal e fui ao encontro da pensão que me abrigava. Subi as escadas até o quinto antar, e fui pra última porta do corredor. Deixei minhas coisas, sai e tranquei a porta.
Abri o alçapão e subi ao terraço. Fui ver meus pássaros. "Meus pássaros" eram seis corvos que moravam no alto do prédio. Eu os alimentava, cuidava e aparava as penas. Eram 6 no total, seis pássaros negros que me ajudavam, passando mensagens para os amigos, sem que ninguém soubesse. Eu os amava, todos os Seis, Le, Chiarlo, Gio, Sue, Freit e Hurtie. Esses nomes são os apelidos dos seis guerreiros que morreram na terceira guerra. Eram todos amigos de meu pai, e Freit era ele próprio.
Começou a anoitecer, e esse não era o maior do meus problemas.
Meu nome é Peter Belsoff, tenho 17 anos e moro no Rio de Janeiro, no que sobrou dele, pelo menos. Vivo no ano de 2035. E aconteceu tudo aquilo que foi previsto a tanto tempo: o planeta aqueceu, a geleira derreteu, o mar subiu, e o que antes fora a cidade do Rio de Janeiro, tornou-se a província Carioca, que é menos da metade do território antigo do Rio.
O que eu acho que seja o início, foi quando governantes me procuraram. Fazia uma tarde morna, sem sol e sem sal, e eu estava lá, saindo da Candelária, quando ouvi o barulho de um tiro. Um assassinato aconteceu na minha frente, e sem que eu percebesse, me tornei o próximo alvo.
Corri. Corri como se não houvesse outra coisa que eu soubesse fazer. Quando olhei para trás me espantei com a imagem: Um ser encapuzado corria atrás de mim, e na sua mão direita um revolver. Subi em um muro e lá fiquei, durante pelo menos 45min, observando.
O bandido se aproximou, e se afastou. uma viatura da polícia passou, eu pulei do muro e chamei a atenção dos homens da lei. A viatura acostou.
"Diga jovem" Disse o que estava no banco do carona."O que houve, sabe algo do assassinato que ocorreu na saída da Candelária?"
"Sem sim, senhor" Eu disse ofegante.
"Acalme-se, e não precisa me chamar de senhor." Respondeu com um sorriso amigável no rosto. "Chame-me de David"
"Entre" Disse o motorista. A porta de trás abriu-se e eu entrei. "Eu sou Júlio"
"Prazer, Peter"
"Então Peter, tome, beba isso" David me deu uma garrafa d'água, que me pareceu ser dele próprio. Bebi metade da água.
"O que viu, pode nos descrever, por favor?" Perguntou-me Júlio.
"Eu estava saindo da Candelária, quando ouvi um estampido, virei o rosto na direção e só o que vi foram manchas de sangue, um homem encapuzado, que correu atrás de mim, mas desistiu quando não me encontrou." Eu respondi, tudo o que lembrava, foi tudo tão rápido, tudo tão impactante.
"Você sabe quem foi assassinado, Peter?" Perguntou David
"Não"
"A Presidente Cecília Romão." Disse Júlio.
O impacto foi demais pra mim. Calei-me e faltou-me ar. Crise de asma. Abri a mochila e peguei a bombinha.
"Asmático?" Perguntou Júlio.
"Sim" Respondi. Na hora, não senti nada, mas agora, quando sentei-me, senti todo o peso sobre meus pulmões. Era como se eles quisessem escapar pelas minhas narinas.
"Tome isso" disse Júlio passando-me um comprimido, que eu tomava só quando a crise apertava, Asmix. Ele suavizava e mantinha suas condições físicas normais, respiração em pleno funcionamento. Era caro.
"Não, é um pouco caro, você não vai querer gastar..."
"Quem paga é o governo, com tanta corrupção, remédio para um jovem não me parece tão errado." Respondeu ele. "Não vou deixar você morrer com essa bombinha, eu sofri isso, durante 10 longos anos"
Comecei a reparar naqueles policiais. Júlio era negro e careca, tinha o rosto tenso. Sua bochecha esquerda tinha uma cicatriz.
David era mais jovem, parecia pelo menos, pele tão branca quanto a minha, cabelos ruivos encaracolados e barba rala. Tinha o rosto divertido, era como um dos caras do colégio.
Olhei para a rua. E a vi. Ela, quero dizer Julieta Louro. Era a minha garota. Filha do prefeito. Impossível para mim. Seu namorado? Felipe Marconi, o filho do Chefe de Polícia.
"Que foi Peter? Apaixonado pela Srta. Louro?" Perguntou David, risonho.
"Não..." Desconversei.
"Admita" Insistiu David "Vamos, diga logo o que já sabemos!"
"Deixe-o Dave!" Exclamou Júlio.
"OK"
"A Julieta, digo, a Srta. Louro, é um caso impossível." Eu disse.
"É, realmente, filha do nosso meritíssimo prefeito, compromissada, com o filho do Chefe de Polícia da província, é Peter, está ruim pra você!" Continuou David.
"Ela não me conhece" Respondi.
"Claro que conhece. Só há uma escola na província, e é onde os dois estudam." Disse David.
"Não. Na verdade, não. Somos da mesma classe de história, mas não nos falamos."
"Ela certamente sabe quem você é."
"Onde você mora, Peter?" Cortou-o Júlio.
"Telemack" Respondi, eles se surpreenderam.
Telemack é o bairro mais perigoso e miserável da província Carioca. É o principal polo de tráfico de drogas do país inteiro, e a população vive em constante medo de que algo aconteça.
Como resolvi morar aqui? É uma longa história.
Meu pai, Jean Belsoff, foi morto na Terceira Guerra Mundial. Sim, aconteceu uma terceira guerra mundial. O palco? Os EUA. Fi uma guerra sangrenta, entre os EUA e a China, e tudo pelo direito de produzir artefatos eletrônicos. A ONU foi destruída nessa guerra, pelos próprios governantes, um golpe político que até hoje ainda não foi muito bem explicado.
O Brasil, como sempre, foi apoiar os Estados Unidos. As Américas unidas venceram a ásia, que mesmo em maior quantidade, eram mais fracos. Tinham todo o poder tecnológico, mas treinamento militar inferior e arsenal maciço fraco.
Depois dessa guerra, minha vida mudou totalmente, quando o último combatente asiático foi derrotado, eu tinha 3 anos, e nada sobre isso entendia.
Meu pai morreu e eu não conheço nada sobre ele. só o que minha mãe me informou: Jean Belsoff, morreu aos 37 anos, em combate. Apenas, não existiam fotos nem nada mais sobre em nossa casa. Quando eu tinha 6 anos, minha mãe casou-se de novo, e meu padastro sempre fora amigável e amoroso comigo.
A relação entre minha mãe e ele sempre foi ótima, eles não discutiam na minha frente, e sempre resolviam os problemas conversando. Até que ele ficou muito ciumento, e com o ciumes, veio a violência. Quando completei 14 anos, enterrei uma mãe e prendi um padastro. Fiquei órfão e precisava procurar onde morar. Encontrei um emprego para carregar as compras das senhoras do mercado para as casas, e assim fui me mantendo até os 16, morando no mesmo minusculo cubículo em Telemack. Aos 16, consegui um emprego no mercado, de atendente. Hoje eu fui demitido, pois no momento estou dentro da viatura da polícia, faltando o trabalho.
"Em que está pensando, Peter?" Perguntou-me David.
"Nada." respondi. "Nada em especial. Pode me deixar aqui, Júlio, eles vão se intimidar se entrarmos na favela."
"Tá bem" Disse Júlio, a contragosto.
Desci do carro, e depois das recomendações dos dois, subi a rua principal e fui ao encontro da pensão que me abrigava. Subi as escadas até o quinto antar, e fui pra última porta do corredor. Deixei minhas coisas, sai e tranquei a porta.
Abri o alçapão e subi ao terraço. Fui ver meus pássaros. "Meus pássaros" eram seis corvos que moravam no alto do prédio. Eu os alimentava, cuidava e aparava as penas. Eram 6 no total, seis pássaros negros que me ajudavam, passando mensagens para os amigos, sem que ninguém soubesse. Eu os amava, todos os Seis, Le, Chiarlo, Gio, Sue, Freit e Hurtie. Esses nomes são os apelidos dos seis guerreiros que morreram na terceira guerra. Eram todos amigos de meu pai, e Freit era ele próprio.
Começou a anoitecer, e esse não era o maior do meus problemas.